Gestão da inovação: fuja do lugar-comum

gestão da inovação

Inovar é uma palavra que vem ganhando cada vez mais destaque no cenário do empreendedorismo, não é mesmo?

Ainda mais em tempos de crise econômica; marcas e pessoas nunca estiveram tão dispostas a vencer os obstáculos e a se destacar da concorrência.

Mas sabemos que não basta apenas ter uma grande ideia e querer colocá-la em prática em seu negócio. É preciso ir além e promover uma verdadeira gestão da inovação, ainda mais em um ambiente com colaboradores com diferentes conhecimentos e assumindo processos distintos.

Para que ocorra essa gestão eficiente dentro da empresa e você possa fugir do lugar-comum, é preciso implementar uma cultura da inovação para que ela alimente o processo criativo, gerando novos serviços e produtos.

A gestão de inovação é um assunto relativamente novo na maioria das empresas, principalmente nas de pequeno e médio porte. Afinal, o comportamento do consumidor e do próprio mercado vem mudando a passos mais rápidos do que o de costume, graças aos avanços tecnológicos que mudaram processos e rotinas, tanto nas empresas quanto na casa dos consumidores.

Mas como fugir do lugar-comum em meio à concorrência alta e entregando produtos e serviços que são, em sua essência, simples? No post de hoje, vamos analisar esse desafio e você vai descobrir como ter uma gestão da inovação eficiente em seu negócio. Acompanhe.

A presença da inovação no crescimento dos negócios

A gestão da inovação tem se tornado cada vez mais importante, tanto para as macroestruturas (grandes organizações) quanto para as microestruturas. Isso porque ela apresenta um terreno fértil para o surgimento de ideias e, ainda, a derrubada dos obstáculos existentes para que haja crescimento.

Todos os anos, empresas do mundo inteiro se destacam por ideias inovadoras, mas que também tiveram início a partir da mudança de cenário dentro do próprio ambiente corporativo. Ou seja, a mudança começou de dentro para fora, gerando comportamentos que incentivaram a colaboração e a sugestão de melhorias e inovações. Junto a essa cultura, a gestão ainda oferece os recursos e os procedimentos para que as iniciativas se potencializem.

Segundo levantamento da publicação norte-americana Fast Company, as empresas mais inovadoras de 2017 estão elencadas na tabela a seguir, divulgada pelo jornal O Globo:

Fonte: O Globo

Já na América Latina, ganharam destaque empresas também brasileiras de diferentes nichos de mercado:

Fonte: O Globo

Como vemos, as empresas que se destacaram no quesito inovação, de acordo com a publicação, são de diferentes setores: educação, tecnologia, saúde, turismo, e-commerce, contabilidade, etc., mas todas elas têm em comum soluções inovadoras para resolver problemas do cotidiano das pessoas e de outras empresas.

A gestão da inovação, portanto, é possível e imprescindível para todas as estruturas de negócios, e para todos os segmentos. Ela nasce da vontade de tornar produtos e serviços cada vez mais desburocratizados e simples de serem utilizados pelos consumidores – o que, afinal, é o centro do empreendedorismo.

Empresas de diferentes nichos diante da inovação

Negócios inovadores, geralmente, já nascem com uma ideia: desconstruir clássicos e reconstruí-los de maneira diferente, simples e que tenha uma boa relação de custo/benefício, entregando produtos e serviços melhores. Nesse sentido, diferentes nichos empresariais se desenvolvem, também, de maneira diferente, e, assim, podemos classificá-los quanto à implantação de uma gestão da inovação:

  • Negócios com inovação estabelecida: são empresas que já possuem processos estruturados e programas de incentivo à inovação. Por meio de ações internas, os colaboradores têm interesse em assumir projetos por se sentir pertencentes e integrados ao negócio. Esses empreendimentos geralmente valorizam ideias, compreendem erros com mais clareza e intercalam projetos de inovação.
  • Negócios com base tecnológica: são empresas que se desenvolvem apoiadas em tecnologia de ponta e apresentam soluções inéditas, rompendo as clássicas. Elas se desafiam a crescer em meio a ambiente de incerteza. Nesse caso, a gestão de risco precisa ser bem executada pelos diretores e gestores.
  • Negócios com inovação ainda não consolidada: são empresas que ainda não possuem uma cultura de inovação devidamente estabelecida para a geração de ideias. Quando inovam, assim o fazem por conta de seus pontos fracos; além disso, precisam da unanimidade do time para que algumas melhorias em processos ou em produtos sejam implementadas. Como não têm a cultura enraizada, deixam de avaliar ideias que poderiam ser boas para o negócio, o que acaba desmotivando os colaboradores.
  • Negócio que não inovam: empresas que não inovam não querem dizer que elas dão a devida importância a esse processo, mas, por algum motivo, permanecem imóveis diante dessa necessidade. Então, muitas delas acabam copiando ideias originais (o que não é errado), repetindo aquilo que dá certo.

Em qual situação a sua empresa se encaixa? Essa avaliação é o primeiro passo para fugir do lugar-comum e implantar a gestão da inovação no ambiente.

A cultura da inovação requer mudança de comportamento na empresa

Implantar uma gestão da inovação na empresa requer uma mudança forte em sua estrutura de trabalho, principalmente em relação a empreendimentos que estão há mais tempo no mercado.

Nesse caso, alguns comportamentos devem ser aprimorados para que a cultura de inovação seja desenvolvida com sucesso. Podemos citar alguns deles:

# Ser eficiente

É o mesmo que ter a chamada mentalidade de execução. Uma boa gestão da inovação depende de processos eficientes – por melhores que sejam as ideias, não haverá peso ou valor de argumento sem que elas sejam testadas. Elas são frutos de um processo criativo entre todos os membros da equipe e, muitas vezes, o andamento do projeto precisa atingir a maturidade necessária para não haver desânimo pelo caminho. Por isso é que ser eficiente e ter uma mentalidade de execução faz com que a inovação saia do papel.

Um método que incentiva essa mentalidade é a prototipagem, um processo de inovação em que os produtos são testados e verificados na prática (versões de teste), com o objetivo de que os erros sejam rapidamente consertados a um baixo custo. Desse modo, é possível perceber rapidamente a visão dos usuários sobre o produto ou o serviço da empresa.

Nesse sentido, um líder de inovação precisa estar preparado para incentivar e viabilizar essa mentalidade de eficiência na execução dos projetos, filtrando ideias e motivando a equipe.

# Saber trabalhar de forma colaborativa

Isso pode parecer simples, porém nem sempre o espírito colaborativo está presente no ambiente da empresa – mas existe uma relação estreita e inquebrável entre colaboração e inovação.

Ter habilidade para trabalhar de forma colaborativa exige conhecimento necessário para saber se colocar nesse contexto e, também, educar os colaboradores, motivando-os para que colaborem efetivamente por meio de ideias e atitudes. Nesse sentido, os processos colaborativos devem ocorrer de forma contínua e livre, de forma que a cultura de inovação se propague.

Portanto, é preciso saber ouvir os colaboradores, clientes e gestores, além de orientá-los sobre como podem contribuir para um trabalho viável.

# Saber se orientar por melhorias

A gestão da inovação deve ser sempre focada nas melhorias dos processos, produtos e serviços. Por isso, a liderança precisa saber identificar as ideias que tenham esse objetivo aliado à redução de custos e ao aumento de receita.

Muitos gestores caem no erro de se orientar por falhas e erros, e acabam desenvolvendo projetos para “tapar buracos”, e não propriamente para otimizar um processo, produto ou serviço – e isso tem tudo a ver com o desenvolvimento de uma nova mentalidade voltada para o otimismo, mas que também produza frutos na prática.

Então, é preciso direcionar todos os esforços da equipe para uma melhoria constante. Dessa forma, a empresa cresce e se desenvolve.

# Ser humilde

A humildade é um pré-requisito fundamental para desenvolver a gestão da inovação na empresa. E isso não tem nada a ver com fraqueza, passividade ou insegurança: significa saber se colocar no contexto colaborativo e ter humildade para ouvir e, também, respeitar diferentes opiniões. Somente assim a cultura da inovação se instalará com sucesso no ambiente corporativo.

Os primeiros passos para uma gestão da inovação em sua empresa

Quando se cria uma cultura que permite ao colaborador inovar, a gestão da inovação favorece para que as empresas tenham mais ideias e desenvolvam boas soluções, de forma a se destacar no mercado.

Nesse sentido, existem alguns passos a serem dados:

# Estimule a criatividade

A criatividade não nasce em um ambiente de inércia, ela precisa ser estimulada para que os colaboradores saiam da zona de conforto e sejam provocados por novos desafios. Mas como estimular essa importante ferramenta de trabalho nos colaboradores? Algumas sugestões:

  • Faça reuniões de brainstorming com toda a equipe.
  • Crie um “cantinho da criatividade” em sua empresa, onde os colaboradores possam ficar durante um tempo para pensar livremente. Um local com livros, vídeos, jogos e tudo o que estimule a criatividade.
  • Promova almoços semanais com os colaboradores; se forem muitos, divida em dois almoços semanais para que consiga interagir com todos à mesa.
  • Dê a todos uma “agenda de ideias” para que escrevam livremente e, no final de cada mês, consigam discuti-las em grupo.
  • Premie os autores das ideias adotadas pela empresa.

#Estimule o engajamento dos colaboradores

É imprescindível facilitar o compartilhamento das ideias entre os colaboradores que possuem diferentes conhecimentos e habilidades, estimulando-os a se engajar nos projetos e, assim, ter uma gestão da inovação que realmente funciona na prática. Algumas dicas:

  • Estabeleça um plano de cargos e salários com um programa de metas para o colaborador, tendo como base o planejamento estratégico da empresa.
  • Incentive a autonomia de cada colaborador, de forma a facilitar o cumprimento de metas com resultados positivos.
  • feedbacks constantes, além de sistematizar os processos de avaliação dos colaboradores.
  • Seja claro: aponte as funções e as responsabilidades de cada colaborador, pontuando a importância de cada um e promovendo a sinergia.
  • Invista nos conhecimentos e nas habilidades dos colaboradores, pois entender as competências de cada um garante a eficiência em equipe.
  • Organize programas de capacitação baseados no plano de carreiras e nas metas da empresa. Dessa forma, os colaboradores ficam motivados a se reciclar.
  • Faça pesquisas de clima organizacional e identifique os fatores que afetam a satisfação, a motivação e o bem-estar dos colaboradores. Com isso, podem ser desenvolvidos programas que foquem na qualidade de vida e na cidadania.
  • Tenha clareza na comunicação para que o grupo assimile os valores e os princípios da empresa. Também é importante ouvir o que cada colaborador tem a dizer e procurar estabelecer uma relação de confiança. Crie canais de comunicação para manter as bases sempre sólidas.
  • Remunere, reconheça e incentive a geração de ideias, seja por ajustes salariais, plano de carreira, comissões, reconhecimentos, prêmios, presentes ou outras formas de demonstrar gratidão pelo empenho extra do profissional.

# Utilize a tecnologia

A tecnologia proporciona às empresas uma ótima oportunidade de otimizar processos para que a equipe se mantenha focada na geração de novas ideias.

Então, considere adquirir softwares de integração de dados e de departamentos dentro da empresa, além de fornecer facilidades de comunicação e uma boa experiência do usuário (User Experience) nos meios de digitais ao divulgar seus produtos e serviços. Além disso, invista na tecnologia mobile para seus colaboradores que passam a maior parte do tempo fora das dependências da empresa, de forma que não haja falhas na comunicação e no desempenho.

# Busque qualificações diversificadas

A última dica, mas não menos importante, é investir sempre em qualificação para uma melhor gestão da inovação. O empreendedor que lidera uma equipe precisa estar a par das tendências do seu mercado, além de observar de perto o comportamento do consumidor. Também não deixe de fazer networking. Essa é uma excelente maneira de se manter conectado ao mundo e conseguir boas parcerias para crescer inovando.

Para inovar, é preciso fazer algo diferente voltado à melhoria, e não apenas implementar novas tecnologias e formas de desenvolver um produto ou vender um serviço. Uma verdadeira gestão da inovação também ocorre no próprio ambiente corporativo, através do debate de ideias, no estímulo à qualificação e ao engajamento de toda a equipe. Com tudo isso, certamente, a empresa terá uma grande vantagem competitiva no mercado.

E então, ficou mais clara a importância da cultura colaborativa para a gestão da inovação nas empresas? Preparamos um post especial sobre Crowdsourcing, que tem tudo a ver com o tema e tem revolucionado negócios pelo mundo inteiro. Até a próxima.