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Gestão de empresas: como ter inteligência emocional no trabalho?

Você já deve ter ouvido a afirmação de que os profissionais são contratados por suas habilidades técnicas, mas desligados por problemas comportamentais, certo? Essa máxima reflete uma mudança na gestão de empresas, que passaram a entender que o diferencial estratégico de qualquer negócio é alcançado por meio das pessoas.

Gestores, administradores e empreendedores começaram a perceber que o gerenciamento das emoções, obtido por meio da inteligência emocional, é fundamental para o bom relacionamento com seus stakeholders.

Platão já afirmava que qualquer processo de aprendizagem possuía como base uma emoção. E isso não ocorre apenas na esfera da educação, mas, também, no ambiente corporativo, favorecendo a efetividade nas ações desenvolvidas.

Donald Caine, especialista em comportamento, afirma que “a diferença essencial entre a emoção e a razão é que a emoção leva à ação, enquanto a razão leva apenas a conclusões”. Em um momento de hipercompetitividade, em que é preciso inovar e diferenciar-se, esse domínio das emoções, que culmina em ações eficazes, pode ser essencial para o sucesso dos empreendimentos e para a gestão de empresas. Entenda mais sobre isso, a seguir!

O que é inteligência emocional

A inteligência emocional (IE) é a capacidade de lidar com emoções, mesmo diante de pressões externas. Ela é, hoje, uma competência decisiva para gestores e empreendedores de sucesso, que conseguem relacionar-se com mais qualidade com seus funcionários, fornecedores e clientes.

A IE ajuda a entender e a gerenciar as emoções de modo positivo, sem que elas prejudiquem o processo decisório. Ela afeta diretamente o desenvolvimento profissional, a saúde física e mental e os relacionamentos.

Cada vez mais, indicadores, como o QI ou um amplo conhecimento técnico, cedem espaço para o QE (quociente de inteligência emocional) e as chamadas soft skills – conjunto de habilidades que favorecem o bom relacionamento com outras pessoas.

De fato, a inteligência emocional está entre as habilidades mais valorizadas nos profissionais – e há previsões de que essa posição seja consolidada também em 2017.

Conforme o psicólogo Daniel Goleman, a inteligência emocional é composta por cinco fatores: autoconhecimento, autocontrole, motivação, empatia e habilidades sociais que, em conjunto, ajudam a “dar inteligência as nossas emoções”.

Confira, a seguir, dicas para ajudá-lo a ter inteligência emocional no ambiente corporativo.

Práticas para ter inteligência emocional ao gerenciar uma empresa

1. Tenha bem claro que todo mundo erra

A busca pela perfeição não apenas cria um clima de competição que desfavorece a colaboração, como também acaba gerando desgaste na equipe. Todos, inclusive você, cometem erros, o importante é aprender com o processo para que eles não sejam repetidos – a isso se dá o nome de prática deliberada, quando conseguimos evoluir a partir de nossos erros.

Em determinados mercados que dependem da inovação para garantir a competitividade do negócio, o erro, inclusive, é incentivado – só erra quem tenta algo novo.

No Vale do Silício, por exemplo, berço de empresas inovadoras, entende-se que o erro é inerente à criação e ao teste de novas soluções na gestão de empresas. Claro, apenas errar não basta. Lá, empresas como Google, Facebook e Apple recomendam que se erre, mas rapidamente, e obtendo aprendizado e melhorias a partir dessa experiência – Thomas Edison já dizia que ele havia aprendido muito mais com seus erros do que com seus acertos e Steve Jobs percebia que a falha é um resultado que aponta uma nova direção a ser seguida.

Se você exigir de si e da sua equipe que erros não ocorram, e que eles sejam vistos como símbolo de fracasso, poderá estar desmotivando os profissionais, que vão deixar boas ideias engavetadas por medo de que não sejam bem-sucedidas.

No caso de ocorrência de equívocos, procure não chamar a atenção do funcionário publicamente, constrangendo-o de modo desnecessário. Chame-o de modo privado e converse, orientando e conduzindo seu processo de desenvolvimento para que o erro gere aprendizado e não se torne uma ação recorrente.

2. Busque o autoconhecimento

Um dos pontos fundamentais para desenvolver a inteligência emocional na gestão de empresas é promover, primeiramente, seu autoconhecimento. É a partir disso que você conseguirá entender melhor seu padrão de comportamento e mudar atitudes que precisem ser ajustadas.

É importante, além de conhecer seus pontos fortes, ter ciência, também, de suas limitações. Isso ajuda a lidar melhor com os funcionários e a selecionar uma equipe que complemente seus pontos a melhorar pela delegação de tarefas que exijam habilidades que você não possui.

Os profissionais à frente da gestão de empresas que não possuem inteligência emocional e não conhecem bem a si mesmos acabam tornando-se reféns da opinião alheia e tendo dificuldade em seu processo de tomada de decisões, apresentando menos iniciativa e mais insegurança, o que pode prejudicar a sua performance e a de sua equipe.

Quem não se conhece bem, acaba não conseguindo ter um posicionamento tão estratégico, ficando à mercê das circunstâncias e de fatores externos. Quanto mais você se conhecer, melhores condições terá de se autogerenciar e relacionar com sua equipe.

Para promover esse autoconhecimento, você poderá, por exemplo, recorrer a processos de coaching, que ajudam a definir, com clareza, seus objetivos, a alcançar um equilíbrio emocional e mudanças positivas em sua vida pessoal e profissional.

3. Seja empático

As pessoas têm uma facilidade muito maior a seguir líderes que as engajem, motivem e inspirem. Um caminho eficaz para ter uma gestão de empresas focada nessa política é a empatia, isto é, entender a situação do outro, conseguindo colocar-se em seu lugar, respeitando e os sentimentos e motivações dele.

Líderes empáticos não apenas conseguem se colocar no lugar de quem está à sua frente, como, também, se questionam, antes de tomar atitudes que afetem terceiros, se gostariam de ser tratados daquela maneira, por exemplo.

Para isso, o primeiro passo é deixar o egocentrismo de lado e demonstrar um interesse genuíno nos funcionários, ouvindo atentamente suas colocações e tentando compreender seu ponto de vista. É importante salientar que não é necessário assumir esse ponto de vista, mas entendê-lo, a fim de saber lidar da melhor forma com as demandas e se relacionar de modo eficaz com as pessoas ao seu redor.

4. Seja sincero e não guarde nada

A sinceridade também favorece a empatia. Grande parte das pessoas percebe atitudes falsas, e essa percepção acaba distanciando-as desse tipo de liderança. Por isso, não guarde nada ou encubra informações visando uma percepção positiva de sua equipe – o resultado disso poderá, justamente, ser o oposto.

Para uma gestão de empresas e pessoas eficaz, seja sincero em seus elogios e sugestões de melhorias para sua equipe, sempre dando o feedback de modo respeitoso e com o objetivo de proporcionar o desenvolvimento e a melhoria.

Conforme Rodrigo Fonseca, presidente da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, a sinceridade é o fator essencial para os bons relacionamentos no ambiente corporativo e está ligada à expressão, e não à supressão de informações. Fonseca afirma que, se as pessoas não se expressam, acabam se tornando “panelas de pressão” de sentimentos não resolvidos, aumentando a probabilidade de um estouro de emoções com consequências indesejadas.

5. Aceite feedback

Autoconfiança é muito importante, entretanto não deve ser confundida com arrogância, quando há excesso de orgulho e falta de humildade. É fundamental que os profissionais à frente da gestão de empresas também saibam aceitar feedbacks de seus pares e equipes, lidando com eles de modo construtivo e avaliando como podem aprender e melhorar a partir dessas contribuições.

Os profissionais que não apresentam controle de suas emoções, em um primeiro momento, tendem a refutar o feedback ou mesmo desmerecer seu transmissor, deixando de aprender e de tirar algo positivo do retorno obtido.

Ao receber um feedback negativo, respire fundo e ouça, com humildade, o que o outro tem a dizer. Peça exemplos que ilustrem a crítica recebida e, se perceber que agiu de modo equivocado, reconheça o erro e ajuste seu comportamento.

No caso de discordar dos argumentos, tente entender os motivos que levaram o funcionário a tal percepção e aproveite a oportunidade para tentar reverter o quadro e melhorar a sua imagem perante sua equipe.

Em todo caso, agradeça sinceramente pelo feedback e procure identificar o núcleo da questão. Lembre-se de que todos temos pontos a melhorar e só se destaca quem não fica estagnado e busca se aperfeiçoar continuamente.

A gestão de empresas está cada vez mais relacionada à inteligência emocional de seus líderes e colaboradores. Para ter sucesso, hoje, não basta apenas domínio técnico sobre o produto e o mercado, mas também das emoções envolvidas no relacionamento entre pessoas e entre organizações.

Como você avalia a sua inteligência emocional? Você já aplica alguma das práticas que apresentamos aqui? Compartilhe a sua experiência nos comentários e continue acompanhando nosso blog para obter outras dicas sobre gestão de empresas!

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