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gestão de riscos
5 motivos para começar a fazer a gestão de riscos na sua empresa

Você trabalha dia e noite à frente de seu empreendimento, que vem apresentando um bom ritmo de crescimento. Afinal de contas, tudo já está planejado: os objetivos, as metas, os processos e todas as demais partes que compõem o planejamento estratégico de sua empresa.

Mas, em um determinado dia, a sua página empresarial na rede social, que até então assumia o posto de 5 estrelas, recebe um feedback ruim e, na sequência, a postagem é inundada de outros comentários negativos ‒ de pessoas, inclusive, que não são clientes de sua empresa. De uma hora para outra, toda a construção de uma reputação de trabalho é colocada em xeque.

Ou, ainda, o seu negócio depende de matérias-primas de um determinado país, cujas relações comerciais com o Brasil começam a estremecer e você se vê no perigo de não mais conseguir realizar as transações, ou fica na iminência de um aumento considerável do valor das importações.

Quando se fala em gestão de riscos, muitas empresas não levam essa questão a sério, até que algo ruim acontece e coloca em ameaça os valores institucionais, a segurança dos colaboradores, do estoque de produtos e até mesmo de todo o orçamento da empresa.

Portanto, fazer um plano de gerenciamento de riscos é um fator primordial que antecede a gestão de crise. Ele é importante porque é o momento em que se planeja, organiza e controla os recursos materiais e humanos do empreendimento para que possíveis danos sejam minimizados e riscos se tornem oportunidades, levando a empresa a um equilíbrio sem desviar de seus objetivos.

Conheça, a seguir, 5 motivos para começar a fazer a gestão de riscos em seu negócio e como começar todo o planejamento.

Motivo 1: a gestão de riscos ajuda a avaliar a evolução da empresa

Quando a empresa possui um plano de gerenciamento de riscos, é possível avaliar quais rumos o empreendimento está tomando a curto, médio e longo prazo. Afinal, a empresa poderá passar por mudanças regulatórias, aumento do preço dos insumos, falhas na implantação de novas tecnologias, mudanças na legislação trabalhista e até mesmo de rumo na diplomacia entre nações.

Ter uma boa gestão de riscos, portanto, ajuda a prever certos acontecimentos e antecipar a resolução de possíveis crises, contribuindo para manter o equilíbrio da empresa.

Motivo 2: a gestão de riscos ajuda a otimizar o capital da empresa

Todo o risco não medido ou mal administrado afeta seriamente o caixa da empresa. Isso porque existe a probabilidade de encarecer operações, diminuir as margens de lucro e reduzir a eficiência do negócio, provocando o ingresso num ciclo de crise que pode, inclusive, não ter saída.

Por isso, ter informações a respeito de riscos aumenta a chance da condução de uma avaliação eficaz das necessidades de capital como um todo. Afinal, certos riscos podem ser transformados em boas oportunidades de crescimento.

Motivo 3: a gestão de riscos cria valor para o empreendimento

O gerenciamento de riscos corporativos ajuda a fortalecer as decisões da empresa, possibilitando o rigor na seleção e na identificação de alternativas de respostas a eles ‒ tais como evitar, compartilhar, reduzir ou aceitar os riscos. Empresa fortalecida e com direcionamento claro, destaque em meio à concorrência e valorização no mercado.

Motivo 4: a gestão de riscos pode criar oportunidades para o negócio

Empreendedores geralmente sabem “fazer de um limão uma limonada”, mas nem sempre conseguem antever riscos e transformá-los em oportunidades a tempo. Por isso, colocar no papel tudo o que de positivo e negativo possa acontecer ao negócio, ou seja, pelo fato de considerar todos os eventos em potencial, a empresa posiciona-se de forma proativa.

Motivo 5:  aumenta a competitividade e a empresa se destaca no mercado

Empresa que gerencia os riscos conduz o negócio de forma mais preparada e ativa, pois está sempre se atualizando no mercado, estudando previamente o comportamento do consumidor e avaliando necessidades de mudanças e adaptações sem os sustos que uma grande crise pode gerar da noite para o dia em empresas que não estejam preparadas. Isso faz com elas se valorizem no mercado e se destaquem da concorrência, gerando credibilidade.

Planejando a gestão de riscos da empresa

A seguir, preparamos dicas de como iniciar na prática uma gestão de riscos, também chamado de Plano de Gerenciamento de Riscos. Entenda que não é possível copiar o modelo de outras empresas, pois cada uma delas apresenta suas particularidades e rotinas. Por mais que uma ideia tenha funcionado para uma empresa X, não quer dizer que terá sucesso na empresa Y.

Então, tome essas dicas apenas como base para criar a sua gestão de riscos.

Entenda quais são os riscos que a sua empresa corre

A primeira etapa do processo de criação do plano de gerenciamento de riscos é realizar o mapeamento institucional de todas as situações da empresa, analisando em qual estágio ela está e quais são as prioridades no momento.

Por isso, é fundamental que os gestores conheçam detalhadamente a rotina dos processos de todos os departamentos, tais como os administrativos, de marketing, de vendas, de logística e de recursos humanos.

É importante entender, ainda, o conceito de risco: o efeito ‒ positivo ou negativo ‒ de um evento ou de uma série deles que ocorre em uma ou mais localidades. Os riscos são calculados a partir da probabilidade de um evento se tornar um problema e do impacto que ele teria. Então, podemos deduzir que:

Risco = Probabilidade x Impacto.

Para que você consiga levantar os riscos em sua empresa, será preciso identificar alguns fatores em todos os eventos identificados, incluindo:

  • Evento: o que pode acontecer?
  • Probabilidade: qual a probabilidade deste evento ocorrer?
  • Impacto: o quão ruim será se esse evento ocorrer?
  • Mitigação: como e em quanto eu posso reduzir a probabilidade de ocorrer?
  • Contingência: como e em quanto eu posso reduzir o impacto deste evento?

O resultado de todos os levantamentos acima será chamado de Exposição ‒  ou também de Ameaça, Perigo ou Severidade ‒, que é a quantidade de riscos identificados por você e que não podem ser evitados.

Esse levantamento ajuda a identificar a relação custo-benefício de cada risco, inclusive o de adotar ou não mudanças na empresa. Outro conceito que precisa ser esclarecido é o do Risco Assumido. Se você decide prosseguir (e às vezes não há escolha) com alguma mudança, então a sua Exposição passa a se chamar Risco Assumido.

Exemplo: é preciso fazer a manutenção de um circuito elétrico na empresa e isso vai derrubar um dos servidores. Seria menos arriscado mover o servidor para um novo circuito elétrico antes da manutenção ou esperar que a manutenção tenha acabado para ligar novamente a máquina? Em qualquer um dos eventos, o servidor será derrubado, mas é preciso identificar qual atividade teria o menor risco para o projeto.

Classifique cada risco levantado

Identificados os riscos (eventos), eles devem ser classificados de acordo com os objetivos da organização.

Eles podem ser internos, quando são eventos ocorridos dentro da empresa, tais como:

  • financeiro;
  • ambiental;
  • social (quadro de colaboradores, processos falhos);
  • tecnológico (exemplo: tecnologia obsoleta);
  • conformidade.

E eles podem ser externos, tais como:

  • macroeconômico (grau de liquidez do mercado, taxas de juros, etc.);
  • ambiental (desastres ambientais);
  • social (conflitos sociais, situação política, etc.);
  • tecnológico;
  • legal.

Essa lista serve apenas como um exemplo, pois cada empresa tem seus processos e eventos. Pense em todos os riscos internos e externos que podem sinalizar ameaça para a sua empresa.

Uma dica é reunir os colaboradores e pedir a opinião de diversas pessoas sobre o que poderia acontecer e como ajudar a prevenir determinados acontecimentos. Anote tudo e mantenha a mente aberta em relação às ideias, sem tirar o foco do objetivo.

Avalie e mensure os riscos

Riscos definidos e classificados, chega a hora de mensurá-los quanto ao seu efeito potencial, ou seja, quanto à probabilidade de ocorrência e ao grau de impacto na empresa. Nesse sentido, serão priorizados os riscos que mais impactam e com maior probabilidade de acontecer.

Você pode identificá-los utilizando alguns termos seguidos das descrições de frequência ou de perda financeira, atribuindo pesos aos eventos. Por exemplo:

  • Evento raro / uma vez ao ano.
  • Frequente / a cada 15 dias.
  • Perda muito baixa / R$ 0,01 a R$ 250,00.
  • Perda grave / R$ 15.000,00 ou mais.

Uma dica importante é também atribuir probabilidade de um risco acontecer em escalas de 0.00 a 1.00, sendo 0.01 a 0.33 uma probabilidade baixa; 0.34 a 0.66 média; e 0.67 a 1.00 alta. Se um dos eventos tiver probabilidade zero de ocorrer, ele deve ser removido do planejamento. O mesmo tipo de escala também pode definir o grau de impacto do risco (impacto baixo, médio e alto). Se ele também for zero, não deve ser listado.

O importante é ser muito específico em cada risco. Por exemplo: colocar “atraso no projeto” como uma consequência não é uma informação tão clara quanto “o projeto sofrerá um atraso de 13 dias e custará R$ 5.300,00 a mais no orçamento”. Quanto mais específico, melhor.

Trate e minimize os riscos

Riscos conhecidos e devidamente classificados de acordo com a prioridade, está na hora de você propor as soluções para eliminar o problema, de preferência com ações que demandem ganhos significativos com menos esforços.

Alguns exemplos de ações a serem tomadas:

  • Evitar o Risco.
  • Reter o Risco: por exemplo, a diretoria decide não trocar o tablets dos vendedores, mesmo sabendo que isso está influenciando na produtividade deles. Nesse caso, a empresa está assumindo que esse é um risco tolerável.
  • Reduzir o Risco: o plano de gerenciamento de risco identificou que o sistema fica fora do ar três vezes por semana e decide diminuir o tempo dessa falha para uma taxa tolerável de uma vez por semana.
  • Transferir o Risco: a sua empresa terceiriza algum tipo de serviço prestado e assume que qualquer erro em relação a esse setor não é culpa dela. O risco, portanto, deve ser lidado pela empresa contratada.
  • Explorar o Risco: quando o empreendimento percebe que há uma oportunidade nesse risco que precisa ser explorada. Por exemplo: os vendedores que saem às ruas ficam expostos ao Sol. Você fornece, portanto, protetores solares. Mas um dos colaboradores se queixa de problemas de pele por conta dessa exposição. Você pode enxergar a oportunidade de reverter esse ponto negativo em uma ação bem elaborada para agregar valor interna e externamente, como o fornecimento de um acompanhamento dermatológico para esse colaborador.

Portanto, seja sempre proativo, antevendo crises e propondo ações imediatas e positivas para contorná-las, caso sejam inevitáveis.

Monitore os riscos constantemente

Uma gestão de riscos verdadeiramente eficiente nunca acaba. Mesmo que alguns eventos tenham sido resolvidos permanentemente, é fundamental que haja o monitoramento constante de possíveis ocorrências e as já tratadas. Isso evita que haja recorrências e garante que todas as possíveis ameaças continuem sendo identificadas e tratadas adequadamente.

Divulgue a gestão de riscos e reforce a cultura empresarial entre os colaboradores

O objetivo da divulgação da gestão de riscos em sua empresa é estimular a comunicação de procedimentos e processos visando sempre a uma atitude positiva e proativa por parte dos diretores, gestores e colaboradores.

Todos os envolvidos na organização devem saber seu posicionamento, importância e responsabilidade perante os riscos ‒ aliás, uma dica é acrescentar no plano os nomes dos responsáveis em gerenciar cada risco. Dessa forma, cada um dos colaboradores se sente como parte importante para o crescimento do negócio, reforçando uma cultura empresarial de proatividade e produtividade.

Todas essas dicas de gestão de riscos podem parecer complexas, mas, com o tempo, paciência e perseverança, os eventos serão prontamente identificados e a sua empresa conseguirá navegar com mais segurança em mares revoltos. Não se esqueça de alinhar essa gestão aos objetivos e ao planejamento estratégico da organização.

Caso tenha alguma dúvida sobre esse tema ou queira nos contar a sua experiência, seja positiva ou negativa, no desenvolvimento da gestão de riscos em sua empresa e as lições aprendidas por você, compartilhe conosco deixando o seu comentário. Até a próxima.

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Engenheiro por formação e educador por paixão. Tenho a educação como paixão pessoal e profissional, por gostar de estar sempre ensinando e aprendendo. Estou sempre disposto a ouvir pontos de vistas e argumentar sobre diversos assuntos. Como hobbies, gosto de jogar poker e conversar sobre investimento e finanças pessoais.