A gestão participativa como fator no aumento exponencial da produtividade nas empresas

gestão participativa

Se por um lado as constantes mudanças na forma de trabalhar possibilitam que as pessoas tenham mais opções na hora de exercer um ofício, por outro lado, a maioria delas continua insatisfeita com o trabalho – mais precisamente 72%, como mostrou uma pesquisa da International Stress Management Association (ISMA Brasil).

Não é preciso ir muito longe: certamente você passa, já passou ou conhece alguém que viva essa realidade de infelicidade na rotina de trabalho.

Existem vários motivos que podem explicar esse fato, mas, aqui, vamos nos atentar a dois deles: a falta de reconhecimento e de autonomia, ou seja, os colaboradores apenas acatam ordens e não são reconhecidos por isso. Não existe gestão participativa ou outro modelo de cooperação no trabalho para que todos cheguem juntos a um objetivo.

A tendência no mundo do trabalho é justamente essa: a gestão participativa fazendo com que as empresas se tornem cada vez menos centralizadas, e que as opiniões e decisões de todos importem e ajudem a construir um empreendimento sólido.

Com isso, os colaboradores se sentem engajados a fazer parte dessa construção, e esse modelo de gestão resulta no aumento da produtividade. Ganham os colaboradores e a empresa.

No post de hoje, vamos falar sobre esse modelo e o porquê ele é tão importante para o crescimento das empresas nos dias atuais.

O conceito de gestão participativa

O conceito de gestão participativa é autoexplicativo, e essa simplicidade, inclusive, ajuda em sua disseminação na cultura empresarial.

Trata-se de um sistema de administração no qual todos os colaboradores envolvidos em uma determinada atividade têm influência sobre as decisões que a afetarão. É um modelo bem parecido com o de crowdsourcing, que já falamos aqui no blog.

Muitos gestores e diretores podem ficar receosos de que esse modelo de gestão possa gerar resultados negativos, como insubordinação ou relaxamento, mas, se bem aplicado, a consequência é justamente o oposto.

A gestão participativa não quer dizer que todo mundo opina sobre tudo o que se passa dentro da empresa – é simplesmente uma forma de reunir e aproximar os colaboradores envolvidos em um desafio específico para que os gestores ouçam e considerem diferentes opiniões. O que importa, nesse caso, são os resultados.

Na gestão participativa, o papel dos gestores e tomadores de decisão, portanto, continua existindo, mas com a grande diferença de que são ouvidas opiniões, experiências, sugestões e observações.

Nesse sentido, a tarefa de gestão se torna até mais simples, pois se constrói uma relação de proximidade com os colaboradores, que se tornam parte do processo de trabalho – da ideia à implementação.

A implantação da gestão participativa na empresa, normalmente, envolve quatro dimensões:

#1 Dimensão estrutural

Quando se tem um excesso de hierarquia na empresa (uma gestão centralizadora), muitas vezes pode ser necessário modificar cargos e estruturas para que ocorra uma maior troca de experiência entre os colaboradores e menos concentração de poder em poucas pessoas, que, geralmente, são as responsáveis por tomar as decisões.

#2 Dimensão de resultados

Para que a gestão participativa seja implantada de modo profissional e sem a possibilidade de erros, ter uma gestão voltada para a análise de dados e obtenção de resultados concretos é muito importante.

Se os dados e os resultados indicarem um caminho a ser seguido, então, esse é o caminho. Dessa forma, aquele poder de decisão absoluto concentrado acaba se desfazendo, e um debate acerca dos dados pode contribuir para traçar as estratégias rumo ao alcance dos objetivos.

#3 Dimensão comportamental

Essa dimensão se refere mais ao comportamento dos gestores e líderes do que dos colaboradores. Afinal, pode ser um desafio implantar a gestão participativa tendo gestores autoritários ou impositivos.

É preciso estimular um comportamento de gerar uma autonomia nos gestores, mas com base em confiança e cooperação nas relações com os colaboradores. Ou seja, ao invés de mandar, faz mais sentido, na gestão participativa, as atitudes de envolver, perguntar, informar e delegar.

#4 Stakeholders e Interfaces: dimensão fora das paredes da empresa

Enquanto stakeholder compreende o público estratégico (pessoa ou grupo) que tem interesse pela empresa, podendo ter feito (ou não) um investimento nela, interface é o termo dado para o modo como ocorre a comunicação entre duas partes diferentes e que não podem se conectar diretamente (exemplo: um software controlado por uma pessoa usando um computador).

Nesse sentido, uma gestão participativa não ocorre única e exclusivamente na relação com os colaboradores da empresa. Ela pode, também, conversar com clientes e fornecedores para que sejam ajustadas algumas estratégias rumo ao cumprimento dos objetivos – e o próprio destaque da empresa, que passa a ser vista com outros olhos pelo mercado, como sendo um negócio interativo e aberto a ouvir a opinião dos clientes.

Os benefícios de implantar uma gestão participativa na empresa

Como vimos, existem vantagens em implantar a gestão participativa na empresa; mas vamos nos aprofundar mais nesses benefícios:

A gestão participativa traz crescimento e comprometimento

Certamente, os índices que medem a satisfação dos colaboradores aumentaram com a gestão participativa.

A sensação de contribuir com o crescimento da empresa de uma forma integrada às metas torna os funcionários mais produtivos e satisfeitos – desde que haja um sistema de feedback e reconhecimento, é claro. Afinal, a empresa poder contar com o engajamento de toda equipe é tão importante quanto ela se sentir parte das conquistas. Nesse sentido, a gestão precisar ser partilhada para o comprometimento dos colaboradores.

Os custos com processos podem ser reduzidos

Quando os colaboradores de determinada tarefa se comprometem e se envolvem na tomada de decisões com suas sugestões, as chances de as metas serem atingidas com facilidade aumentam.

Isso faz com que custos de retrabalho e readaptação de processos sejam diminuídos e até zerados em alguns casos, afinal, a equipe indicará as ações que podem minimizar despesas sem interferir na qualidade e na produtividade de seus trabalhos.

Comunicação eficiente e equipe bem estruturada

A gestão participativa também ajuda na hora de promover ajustes entre as equipes e as funções desempenhadas. Afinal, um profissional apático e que não sabe trabalhar em grupo pode não apresentar um bom desempenho nesse modelo de gestão, e pode ser preciso investir em novas contratações para montar uma equipe eficiente e que saiba se comunicar de forma clara, apresentando boas ideias.

Mas tenha calma: antes de avaliar possíveis demissões, analise o que anda motivando e desmotivando seus colaboradores. Às vezes, a solução para mantê-los ativos e engajados nos projetos da empresa pode ser bem simples.

Outros benefícios da implantação da gestão participativa são:

  • Menos hierarquia e uma estrutura de trabalho mais moderna e funcional.
  • Aumento da motivação e da satisfação interna.
  • Colaboradores comprometidos com os resultados.
  • Mais agilidade na tomada de decisões.
  • Mais autonomia para as equipes de trabalho.

Os desafios da gestão participativa

Talvez você deva estar pensando neste momento: “Na teoria, a gestão participativa é muito bonita, mas na prática é muito diferente”. Você está certo.

Para implantar uma gestão participativa realmente eficiente em sua empresa, é necessária uma preparação muito profunda.

Afinal, é preciso estar aberto para ouvir críticas, para ser questionado e para não fazer exatamente tudo da maneira como você gostaria, mas sim com base em diferentes opiniões do seu time de colaboradores.

Tudo isso é, realmente, um desafio para as empresas: dar autonomia para que os colaboradores tomem suas próprias decisões, valorizá-los e incentivá-los ao crescimento nesse sentido. Ou seja, você, como empreendedor, passa a depender muito mais das pessoas envolvidas nos processos da sua empresa.

Nesse caso, algumas orientações podem lhe ajudar a vencer esse desafio:

  • A gestão participativa está intimamente relacionada com ter mais responsabilidades em relação aos resultados – por isso, ter a proatividade como uma das suas características e a de seus colaboradores faz toda a diferença. É justamente essa proatividade que vai ajudar a todos a desenvolverem um senso de autonomia e independência em suas tarefas.
  • É preciso integrar os processos da empresa, ou seja, todos os departamentos precisam estar conectados. Isso porque o resultado é normalmente compartilhado, então, as diferentes áreas da empresa precisam se comunicar muito bem para ajudar no alcance dos objetivos.
  • Integrar os processos da empresa exige flexibilidade da estrutura da organização; ou seja, esteja preparado para mudar alguns processos e gestores de função.
  • E por falar em gestores, todos precisam desenvolver o papel de verdadeiros orientadores, de integradores, e, acima de tudo, desenvolvedores de pessoas. Em outras palavras, de verdadeiros líderes.

Como implementar a gestão participativa em sua empresa

Não existe um modelo de gestão participativa mais correto para a sua empresa, pois, afinal, cada empreendimento tem o seu próprio funcionamento.

É preciso, antes de tudo, saber o que os seus colaboradores pensam, o que gostariam de mudar e quais são as suas expectativas em relação à empresa. Também não deixe de investigar quais são as principais motivações de eles estarem trabalhando para você e suas atuais insatisfações.

Para lhe ajudar, existe um passo a passo que você pode tomar como base na implantação da gestão participativa em sua empresa. Esteja atento a modificações que talvez precisem ser feitas, para que você consiga adaptar essas dicas e construir o seu próprio modelo de gestão.

Saiba que não é preciso implantar todos os passos de uma só vez e com rapidez; pelo contrário, vá aos poucos, faça testes, colha resultados e vá aperfeiçoando de acordo com a sua experiência.

Confira:

# Passo 1: Descubra e compreenda o que os seus colaboradores pensam sobre a atual gestão

Como vimos, o primeiro passo é conhecer melhor o que pensam, quais são as motivações e as insatisfações dos seus colaboradores.

Uma boa dica para isso é realizar uma pesquisa de clima organizacional, caso a sua empresa seja de médio e grande porte. Se ela for pequena, então vale organizar um bate-papo, uma reunião aberta e descontraída (até mesmo em outros locais fora da empresa) para que você ouça tudo o que o seu time pensa.

# Passo 2: Tenha uma comunicação mais aberta sobre a empresa

Compartilhar os resultados de cada projeto, mostrando como o trabalho de cada colaborador está refletido ali, pode contribuir para aumentar o senso de colaboração e de responsabilidade entre todos.

# Passo 3: Na hora de implementar novas ideias, envolva toda a equipe

Fazer rodadas de brainstorming ou reuniões periódicas com o propósito de gerar novas ideias de projetos e ações é uma boa estratégia de gestão participativa, pois faz com que os colaboradores se sintam mais interessados na execução do trabalho quando participam da fase de criação da própria ideia.

Quanto mais donos de ideias você tiver sem que elas venham da equipe gestora, mais envolvimento por parte dos colaboradores.

# Passo 4: Conheça bem todos os integrantes da sua equipe

Você pode ter a gestão participativa mais legal de todas, mas se os seus gestores não conhecerem com quem estão trabalhando, tudo pode sair errado. Então, não deixe de dar feedbacks pessoais baseados em comportamentos e, ainda, criar um plano de desenvolvimento individual de cada colaborador.

# Passo 5: Acompanhe constantemente a implantação desse modelo de gestão

Não basta somente implantar a gestão participativa na empresa; é preciso acompanhar de perto o seu desenvolvimento para que as arestas sejam aparadas conforme surgir a necessidade.

É preciso entender como está ocorrendo a interação entre as áreas e como a equipe está se sentindo com essa mudança para ir ajustando o modelo e o tornando único para a sua empresa.

Mas você pode estar se perguntando: “No dia a dia, como tornar a gestão participativa realidade, além de todos esses passos citados”?

Algumas dicas podem ajudar, tais como:

  • Criar um concurso de ideais, inclusive com premiações.
  • Adotar um modelo de horário de trabalho mais flexível.
  • Adotar a prática da autogestão.
  • Criar comissões para tarefas específicas, envolvendo colaboradores.
  • Ter um financeiro aberto, mostrando a realidade da empresa com base em números.
  • Desenvolver o planejamento estratégico com a participação dos colaboradores.
  • Ter uma caixa de sugestões e ideias dentro da empresa, incentivando as pessoas a participarem.

Por fim, é muito importante manter uma comunicação sempre clara e bem objetiva, explicando adequadamente como funciona a gestão participativa e porque ela é tão importante nos dias de hoje para o crescimento da empresa e dos profissionais.

Mostre que há espaços para o recebimento de propostas, momentos de diálogo, tudo de forma aberta para que todos partilhem experiências e propostas rumo ao mesmo objetivo.

Implantar a gestão participativa na empresa é um grande desafio, mas, se feito com dedicação e compromisso, tornará o negócio mais escalável, produtivo e inspirador para você e toda a sua equipe. Então, que tal começar agora mesmo a treinar o seu dream team?

Caso você tenha alguma dúvida sobre esse tema ou queira compartilhar com a gente sua experiência de trabalho em um modelo de gestão participativa, deixe o seu comentário e até a próxima!