Tudo que você não pode deixar de saber sobre Inovação

Quando questionados se sua empresa é inovadora, muitos empresários e empreendedores respondem o óbvio: “Sim, com certeza!”. Mas antes de nos precipitarmos e aceitarmos essa resposta como verdadeira precisamos entender alguns conceitos bastante básicos sobre inovação e responder algumas questões.

Afinal de contas, somos inovadores? Quão inovadores somos? Posso inovar em serviço?

Essa inovação está trazendo resultados para a nossa empresa? E onde conseguir dinheiro para inovar?

O que é inovação?

Vamos começar com uma definição simples. Inovação é a criação ou adoção de algo novo ou significativamente melhorado e que tenha a possibilidade de trazer ganhos econômicos para a empresa, ou seja, devemos ganhar ou poupar dinheiro de alguma forma com a nova ideia.

Agora vamos explorar um pouco mais esta definição e entender se sua empresa está sendo inovadora.

Estamos inovando quando conseguimos fazer dinheiro com:

  1. a criação de algo “novo” como um bem, serviço ou processo que ainda não existe;
  2. a melhoria significativa de um bem, serviço ou processo; ou
  3. a adoção de uma ideia que já existe em outro lugar ou aplicação;

É importante compreender que só existe inovação quando conseguimos gerar direta ou indiretamente resultado para a empresa.

Muitas vezes vemos empresas com o mesmo produto que o nosso se saindo melhor no mercado e não conseguimos entender por que isso acontece. Investimos dinheiro e recursos para melhorar nosso produto e deixá-lo melhor do que os dos concorrentes, mas ainda assim as vendas não aumentam e ouvimos constantemente o cliente dizer que vai trocar de fornecedor, mas afinal de contas, o que pode estar acontecendo.

Uma das respostas é que talvez os concorrentes estejam inovando em áreas mais relevantes para o cliente.

Vamos pensar na eterna briga entre Coca-Cola e Pepsi e seu refrigerante de Cola. A quantos anos eles não mudam o produto, e por produto entendemos o líquido de cor escura que está dentro da garrafa. A quanto tempo eles não mudam o seu sabor? Muito, não é? Então, como estas empresas inovam para ainda assim se manter no mercado?

Quais são os tipos de inovação

A inovação pode ser de vários tipos, podemos inovar em nossos produtos ou serviços, em nossos processos, nossas práticas organizacionais e na forma de fazer marketing.

Estes tipos de inovação podem alterar a forma que o cliente percebe nosso produto ou nossa empresa. Atualmente Coca-Cola e Pepsi investem mais em Marketing do que no desenvolvimento de seu produto de Cola.

Vamos entender estes diferentes tipos de inovação

Inovação de Produto/Serviço: a inovação que ocorre em produto cria um bem novo ou melhor do que suas versões anteriores. As inovações incluem mudanças nas suas especificações técnicas, materiais utilizados, funcionalidades, etc. A inovação em serviço cria um novo tipo de serviço ou que atende à necessidade do cliente de uma forma significativamente melhor.

Inovação de Processo: a todo momento processos de fabricação ou execução dos serviços são criados ou melhorados e geralmente eles permitem a organização fabricar um produto ou executar o serviço de forma mais rápida, com menor custo ou com maior qualidade.

Inovação Organizacional: a criação de um modelo de negócio novo ou diferente da concorrência é uma forma de inovação organizacional. O Cirque du Soleil é exemplo de inovação organizacional que mudou a forma de se fazer circo. Mudanças nos processos de gestão ou a implantação de um software que irá agilizar os processos organizacionais também podem ser consideradas inovação.

Inovação de Marketing: métodos novos ou significativamente melhorados na área de marketing podem incluir um novo design do produto, da marca ou da embalagem, novos métodos de distribuição, mudanças na forma de promover o produto ou o serviço da empresa. As mídias sociais são um novo veículo de marketing e muitas empresas ainda precisam aprender como utilizá-las adequadamente a seu favor.

Nível da inovação

Uma das principais histórias contadas por algumas empresas e empreendedores, que não devemos tomar como verdade absoluta, é que inovar custa caro. A resposta direta é “depende”, mas vamos entender isso melhor. Inovar pode ou não custar caro conforme o nível de inovação que a sua empresa está buscando. O que são os níveis de inovação?

Se a minha empresa decide adotar um novo método de fabricação, para o qual preciso comprar uma nova máquina e treinar o meu pessoal para operá-la, podemos dizer que minha empresa está sendo inovadora?

Talvez.

Lembre-se que inovação também é adotar uma nova prática e ter ganhos econômicos com ela. Pensemos agora nos níveis de inovação como sendo: mundial, nacional e intraorganizacional.

Quando queremos comparar o nível de inovação de nossa empresa com o restante do mundo, estaremos avaliando o nível mundial. Quando utilizamos como referência apenas as empresas do nosso país ou países de atuação, estaremos no nível nacional e, por fim, se queremos saber se esta nova prática ou bem é inovador para a nossa empresa estaremos no nível intraorganizacional.

Retomando o exemplo acima, temos que a compra de uma máquina e a implementação de um novo método de fabricação pode não ser uma inovação a nível mundial, principalmente se outras empresas do nosso setor já utilizam este método. No máximo estaremos nos igualando aos concorrentes globais.

Porém, se nenhuma indústria em nível nacional está utilizando esta máquina e este método de fabricação, poderemos estar inovando no mercado nacional, desde que tenhamos ganhos econômicos com este novo equipamento.

Já em nível intraorganizacional, se não temos outra máquina igual operando em nossa empresa através do novo método, com certeza estamos inovando em nível intraorganizacional.

Aqui começamos a perceber por que várias empresas se consideram inovadoras, pois estão olhando exclusivamente para o nível intraorganizacional quando se dizem inovadoras, o que indica um grave erro. Se uma empresa inova apenas no nível intraorganizacional, mas não está conseguindo inovar no nível nacional ou mundial, ela está sempre correndo atrás da concorrência. Enquanto isso, empresas que inovam no nível nacional ou mundial estão criando melhorias que irão coloca-las a frente dos concorrentes na briga pelo cliente.

Agora que entendemos os tipos de inovação que podemos fazer (produto, processo, organizacional e marketing) e os diferentes níveis de inovação (mundial, nacional ou intraorganizacional), precisamos saber se estamos obtendo ganhos econômicos com a nossa inovação.

Invenção versus Inovação

Você conhece alguma pessoa com várias ideias, mas que não consegue ganhar dinheiro com sua criatividade? Esse é um dos motivos para entendermos a diferença entre inventar e inovar.

Inventividade ou criatividade e inovação são dois termos que andam juntos, porém eles não são sinônimos.

A criatividade pode ocorrer de diversas formas e quando criamos algo novo podemos estar inventando o próximo produto que irá se tornar um ícone no mercado (ex: iPhone), no entanto se não conseguirmos ganhar dinheiro com esta invenção, ela não passará de uma invenção muito criativa.

Para transformarmos invenções em inovações devemos descobrir se é possível ganhar dinheiro com elas.

Inovação não é apenas para grandes empresas, até porque a maioria das empresas foi pequena um dia. Um exemplo de empresa inovadora de sucesso é a Taty Brand. A empresa surgiu em 2006 da necessidade de duas amigas, Liane Weintraub e Shannan Swanson, que buscavam comidas mais saudáveis e orgânicas para bebês, porém não encontraram nada na cidade de Los Angeles, EUA. Veio então a ideia da Taty Brand.

Atualmente a marca é vendida em grandes cadeias de supermercados como Whole Foods, Fairway e Tops. A empresa começou a dar lucro em 4 anos e, em 2011, previa arrecadar US$ 2.5 mi, enquanto em 2013 já ultrapassava um faturamento de US$ 10 mi

Um ótimo modelo para diversas outras organizações, sejam grandes ou pequenas.

Como planejar a inovação

Diversas patentes são registradas ao redor do mundo, mas quantas realmente tem potencial de mercado? Se a empresa investiu US$ 500 mil, US$ 1 mi, US$ 10 bi em inovação no ano passado, no final das contas, quanto retorno teve sobre este investimento?

Muitos especialistas sobre inovação costumam dizer que as empresas devem inovar ou acabarão perecendo, e esta frase jogada ao vento estimula muitos empreendedores e empresários a gastarem dinheiro com inovação sem definirem uma clara estratégia de inovação em suas empresas.

Uma estratégia de inovação deve passar pelas etapas de busca, seleção e implementação de ideias inovadoras.

Processo de Inovação Contínua

Fluxo de inovação: busca -> Seleção -> Implementação (cíclico)

Buscar ideias inovadoras

A primeira etapa em um processo de inovação exige que a empresa busque ideias inovadoras, mas onde?

As opções são variadas, mas a empresa deve definir claramente quem vai trazer estas ideias para dentro da organização. Embora possa parecer correto afirmar que devemos buscar ideias em qualquer lugar e de qualquer pessoa, este conceito pode falhar na hora de implementar a busca.

Uma empresa que decide buscar ideias de inovação entre seus funcionários deve elaborar um sistema de recompensas, porém só isso já gera grande quantidade de trabalho, então tome cuidado quando for elaborar este processo.

Alguns exemplos de recompensas são bônus em dinheiro, viagem paga pela empresa ou até um mural com as pessoas mais inovadoras da empresa, que gera status pessoal e, para muitas pessoas, é mais importante que recompensas financeiras.

Outra forma de incentivar a inovação é lidar com uma pequena equipe para fazer a busca por inovação. Isso permite que a organização ganhe momento e depois abra o leque para outras áreas da empresa aos poucos. Por exemplo, a empresa, através do presidente e seus diretores poderia estabelecer que a equipe de vendas deve conversar com os clientes atuais e potenciais para que eles tragam ideias para dentro da empresa.

Um terceiro exemplo, é definir que a equipe de engenharia busque ideias em patentes já concedidas. Verificar diversas bases de patentes (ex: INPI, USPTO, WIPO) gera a possibilidade de licenciamento ou compra das boas ideias ainda não exploradas comercialmente por seus inventores.

Uma terceira opção é visitar feiras, eventos, universidades e centros de pesquisa, para ver o que está sendo criado por outras empresas. Muitas ideias podem ser trazidas para dentro da organização, e até mesmo parcerias em pesquisa e desenvolvimento podem surgir, o que reduz um pouco os custos da inovação.

Selecionar ideias inovadoras

Em seguida a organização deve pensar em selecionar as ideias que coletou, afinal de contas, existe uma limitação de recursos. Embora muitas empresas tenham muito dinheiro e recursos físicos para executar diversos projetos, é preciso decidir por aqueles mais importantes e que vão trazer um retorno maior para a empresa.

Como decidir se uma ideia é boa ou não?

O principal objetivo de uma ideia é gerar ganhos econômicos para a empresa, então devemos testar quais ideias tem maior potencial para isso. Pesquisa com clientes, especialistas da área e testes de protótipos podem ajudar. Bens com custo baixo podem ser fabricados e enviados para teste com clientes, produtos mais caros demandam pesquisa com os clientes sobre as funcionalidades que eles consideram interessantes.

Equipes de vendas e pós-venda que tem bastante contato com os clientes, as vezes conseguem entender as necessidades destes e ajudar a empresa a definir as boas ideias. Mas não existe mágica no processo de seleção de ideias e, com o tempo, a empresa irá aprender cada vez mais a diferenciar boas ideias das não tão promissoras. Comece com a teoria e vá ligando os pontos na prática.

Implementar ideias inovadoras

Por fim, cabe a organização tirar as ideias selecionadas do papel e implementá-las, o que demanda organização e controle. Pelo fato de um projeto de inovação já possuir alto risco, é necessário minimizá-los ao máximo. Uma das ferramentas que pode ajudar a transformar ideia em realidade é a gestão de projetos (PMI), com um corpo de conhecimento voltado para garantir que o projeto será executado no prazo, dentro do custo, com a qualidade necessária e no escopo definido (PMBOK).

O teste final do produto ou serviço será feito por meio do mercado, porém não existe ilusão. Mesmo um produto inovador ainda pode demorar até se disseminar no mercado e uma boa campanha de marketing não faz mal a ninguém. Estude sobre marketing para identificar a melhor estratégia para seu produto e a sua empresa.

Dinheiro para inovação

Você pode estar pensando, OK, entendi como inovar e já tenho ideias muito boas, mas o que me falta é dinheiro. No final, nada sai do papel porque falta dinheiro para implementar as ideias.

Então vamos ver como resolver parte desse problema.

Pode não ser simples conseguir dinheiro para a inovação. Muitas empresas espremem o orçamento para conseguir pagar a folha dos funcionários e manter o básico, ou seja, a produção.

Buscar dinheiro em bancos, órgãos governamentais ou outras instituições privadas pode ser uma opção viável.

Uma lista criada pelo Instituto Nacional de Empreendedorismo e Inovação indica por onde começar. Nela estão presentes instituições como BNDES, FINEP, CNPq e FAPESP, além de investidores de risco, investidores anjos e agências de fomento ao empreendedorismo que podem ser de grande ajuda em qualquer etapa de inovação da empresa.

Acesse cada site, busque por cada edital, leia com atenção cada linha e veja se você e sua empresa podem participar da chamada. Elabore toda documentação exigida com alto nível de detalhamento e qualidade, pois isso aumenta as suas chances de receber o financiamento.

Na hora de decidir sobre quais editais participar, lembre-se que nem todo tipo de dinheiro é para todo tipo de empresa. Cada empresa deve avaliar qual volume de dinheiro precisa e qual tipo de financiamento é mais adequado para o seu porte.

Uma empresa que fatura US$ 100 bi por ano dificilmente vai financiar um de seus projetos por meio de investidores anjo. Já uma empresa nascente (Startup) tem mais chances de conseguir dinheiro com investidores anjos ou até em projetos de financiamento de ideias inovadoras. O que inclui também recursos de subvenção, ou seja, não precisa devolver o dinheiro, desde que o projeto seja conduzido de forma adequada.

Vejamos o exemplo de inovação do pipoqueiro Valdir. Na verdade, o Valdir realizou várias inovações no seu micro-negócio de venda de pipoca.

Em resumo… você está só começando

Inovar é simples, porém demanda trabalho duro. Entenda seu mercado, aprenda sobre gestão nas mais diferentes áreas (gestão do conhecimento, gestão de projetos, gestão estratégica, etc.), saiba como fazer um marketing que irá alavancar suas ideias, busque continuamente fontes de recursos públicos e privados para inovação.

Não se desmotive se o processo parecer lento no começo e as primeiras ideias não derem certo, pois o estudo e o trabalho contínuo serão recompensados com resultados futuros.

Agora que você compreende um pouco mais sobre inovação, responda: sua empresa é inovadora? Em qual nível? Você está tendo retorno sobre o investimento em inovação? Compartilhe suas experiências nos comentários abaixo.

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Sou mestre em Administração pela UNISINOS e graduado em Administração de Empresas, na linha de formação Empreendedorismo e Inovação. Atualmente, atuo como professor e pesquisador e tenho amplo conhecimento na gestão de projetos, análise de mercado, pesquisa, desenvolvimento e inovação. Meu conhecimento abrange práticas para solução de problemas por meio do método científico, gestão de projetos, gestão do conhecimento, inovação, inteligência competitiva e tecnológica.