Como desenvolver resiliência na administração de empresas?

administração de empresas

Você já deve ter ouvido diversas histórias e conhecido casos de pessoas e organizações que superaram situações difíceis e conseguiram se fortalecer mesmo em situações adversas, certo?

Biografias, filmes, séries, cases de sucesso, notícias e posts nas mídias sociais são apenas alguns meios pelos quais temos contato, rotineiramente, com histórias emocionantes e inspiradoras de quem superou grandes desafios.

O psiquiatra austríaco Viktor Frankl, que sobreviveu a quatro campos de concentração, e o físico Stephen Hawking, que formulou a teoria da cosmologia quântica mesmo após ser acometido por esclerose amiotrófica – que comprometeu toda sua mobilidade – são alguns exemplos de pessoas resilientes. Empresas como a Havaianas, que se reinventou, superando com sucesso uma grande crise e reposicionando sua marca, é um exemplo de resiliência organizacional.

Veja, no artigo de hoje, qual é a importância da resiliência na administração de empresas e dicas para desenvolver essa habilidade diante dos problemas e das dificuldades que surgem no ambiente corporativo.

O que é resiliência?

Resiliência é um termo com origem no latim, que tem como significado “saltar para trás” ou “voltar ao estado natural”. A capacidade de encontrar um equilíbrio emocional perante situações difíceis ou estressantes é chamada de resiliência.

Os primeiros relatos do uso deste termo foram do cientista Thomas Young, em 1807. Ele o utilizou para descrever a capacidade de um corpo deformado por uma força externa voltar ao estado natural, quando esta força é cessada. Mas, lendo isso, você pode se perguntar: qual é a relação do termo resiliência com a administração de empresas?

Em administração, uma empresa (e seus colaboradores) é considerada resiliente quando passa por um momento de dificuldade (saltando para trás) e, posteriormente, consegue reerguer-se e sair vencedora. A crise financeira em que vive o Brasil, e que já fechou 1,32 mil postos de trabalho no ano passado, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), demonstra essa necessidade das companhias em praticar a resiliência para sobreviver a esse período. As empresas que, mesmo com dificuldades estão se reestruturando e voltando a obter lucro podem ser chamadas de resilientes.

E para que essa volta por cima aconteça, é muito importante que as empresas contem com funcionários com este perfil resiliente. Um estudo desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas, com mais de 3 mil alunos do curso de administração de empresas, mediu o nível de resiliência de cada um deles. O resultado mostrou que que 44% dos estudantes foram considerados com resiliência moderada, 40% com nível elevado de resiliência e apenas 16% foram classificados com baixa resiliência.

Fatores-chave para desenvolver a resiliência

Para chegar a essas conclusões, foram avaliados nove fatores fundamentais para identificar o nível de resiliência dos participantes do estudo:

  1. Autoeficácia: controle da pessoa sobre os rumos de sua vida, sua capacidade de planejar e executar ações que a ajude a atingir seus objetivos.
  2. Competência social: capacidade de buscar e articular apoios em momentos difíceis.
  3. Empatia: capacidade de se colocar no lugar de outro.
  4. Flexibilidade: reflete na capacidade de se adaptar, de não insistir em uma ideia ineficiente apenas por apego ou teimosia.
  5. Tenacidade: capacidade de resistir ao estresse, à pressão e de lidar com situações adversas.
  6. Solução de problemas: capacidade de interpretar cenários, planejar ações de melhorias e colocá-las em ação, mantendo o controle das emoções.
  7. Proatividade: capacidade de tomar a iniciativa de modo ativo, não apenas reagir ao que surge.
  8. Temperança: controle da impulsividade, da raiva e de emoções que possam levar ao estresse e à estagnação. Habilidade de manter a tranquilidade, mesmo em situações difíceis.
  9. Otimismo: capacidade de não perceber apenas as coisas ruins, mas de enxergar o lado positivo e desafiador diante do que ocorre.

Resiliência organizacional na administração de empresas

Além desses fatores, o autor do estudo da FGV destaca que, na administração de empresas, para que se desenvolva a resiliência organizacional, é recomendado, também: desenvolver uma boa imagem junto à sociedade, ter um líder carismático e reconhecido, ter uma comunicação transparente, desenvolver vínculos com a comunidade em que a empresa está inserida (por meio de ações de responsabilidade social, por exemplo). Outra ação fundamental é estimular a resiliência dos dirigentes e líderes da empresa. Se eles não tiverem essa habilidade, dificilmente conseguirão manter as equipes seguras, satisfeitas e produtivas em momentos difíceis.

Como começar a ser mais resiliente

Para que a resiliência comece a fazer parte da cultura organizacional e do comportamento de seus funcionários, veja, a seguir, dicas de como incentivar a resiliência em você e em seus colaboradores.

1. Seja sempre autoconfiante

A autoconfiança é a crença na própria capacidade de organizar e executar determinadas atividades, produzindo os resultados desejados. Para se sentir autoconfiante, alguns treinamentos podem auxiliar, como, por exemplo, a realização de projetos de forma sistemática e planejada e a psicoterapia.

2. Aceite apoio e sugestões e delegue funções sempre que necessário

Em momentos de crise, em que é necessário organizar as finanças da empresa passando por um alto nível de estresse, ter capacidade de buscar apoio externo ou aceitar uma ajuda oferecida é um sinal de resiliência. O envolvimento em projetos sociais é uma forma de desenvolver essa consciência da importância em pedir ajuda nos momentos de fragilidade.

Além disso, aceitar sugestões e feedbacks construtivos nos ajuda a persistir e a obter um gás extra para a resolução de problemas e situações difíceis.

Lembre-se, ainda, de ter foco nas ações estratégicas que dependam mais diretamente de você, delegando o restante, sempre que possível. Não se sobrecarregue e dê a seus funcionários a oportunidade de se desenvolverem lidando com novos desafios em sua rotina.

3. Pense antes de falar

Entre as bases da resiliência estão a proatividade e o otimismo. Pessoas que não refletem antes de se comunicar, normalmente, possuem um perfil mais reativo, alarmista e pessimista. Evite esses comportamentos, avalie bem como se comunicar com a sua equipe, não emita opiniões baseadas apenas em sentimentos, pare e pense antes de falar. Isso ajudará a criar um clima de resiliência em todo o time.

4. Seja flexível

Uma pessoa resiliente é mais flexível, vê as coisas com mais tolerância, e consegue utilizar da criatividade na administração de empresas. Da mesma forma, não se prende por teimosia a atitudes pouco efetivas, pensa em opções e age de maneira mais eficaz, o que também são diferenciais de um bom gestor, essencial nesses momentos de instabilidade.

5. Seja proativo e esteja sempre em movimento

Tomar a iniciativa enfrentando os desafios, mesmo com incertezas, é uma característica das pessoas proativas, que não esperam os impactos de certas situações, e que acabam agindo rapidamente buscando novas soluções. Procurar pelo serviço de coaching, por exemplo, nesses casos, pode ajudar a aprender a ser mais ágil e dar respostas certas, mesmo sob pressão.

6. Estabeleça metas realistas e delimite tempo para realizá-las

Em momentos difíceis, é natural que as empresas tenham metas arrojadas para garantir a sustentabilidade e a saúde financeira do negócio. Entretanto, de nada adianta estabelecer uma meta que seja impossível de ser alcançada por sua equipe – isso apenas desestimulará os funcionários e os levará mais facilmente à desistência do desafio.

Para resolver problemas, é importante diagnosticá-los, planejar soluções e agir, sem perder o controle das emoções, estabelecendo prazos dentro do plano de ação para que as estratégias possam começar a dar resultado. Jogos de estratégia, como xadrez, são uma boa receita para desenvolver essa aptidão.

7. Mesmo que sinta medo, persista no pensamento de coragem

Persistir, mesmo com situações incômodas ou adversas ao seu redor. A persistência é uma característica muito importante para um gestor resiliente. Praticar atividades que auxiliem a aprimorar as questões de disciplina e que exponham o corpo a determinados limites, é um exemplo de ação que pode ajudar a desenvolver essa aptidão.

Pessoas que não são resilientes encaram as dificuldades como sinal para parar. Não se deixe levar pelo medo. Seja perseverante, persista no pensamento de coragem e siga em frente. Steve Jobs, um exemplo de resiliência, já dizia que “metade do que separa o empreendedor bem-sucedido dos malsucedidos é a pura perseverança”.

8. Aceite seus erros e não se martirize demais

Quando o assunto é administração de empresas, controlar a impulsividade significa regular as emoções, mantendo a serenidade em situações difíceis e não se martirizando pelo erro. Não há exceção: todo mundo erra. A pessoa resiliente consegue absorver um aprendizado a partir de seus erros, a fim de não repeti-los e gerar mudanças positivas em seu comportamento.

9. Trabalhe a força, mas não a agressividade

As metas até podem ser agressivas, mas você não. Alguns líderes confundem força com agressividade, criando um clima ruim no ambiente organizacional, competição entre pares, insegurança, estresse e insatisfação. Nada disso contribuirá para que sua empresa passe pelo momento difícil contando com o auxílio de sua equipe. Estimule e adote a força, a perseverança e um clima de apoio no lugar da agressividade.

10. Se coloque no lugar dos colaboradores

Esta é uma habilidade que auxilia a compreender a pessoa a partir do quadro de referências dela e a se colocar no lugar do outro. Algo que ajuda muito para isso é a leitura de livros, ver filmes, etc., além do desenvolvimento de trabalhos voluntários.

Colocar-se no lugar do outro e saber que as pessoas são diferentes e pensam de forma distinta é a chave para uma boa administração de empresas e gestão de pessoas. Entretanto, seja justo sem ser “mole”. Você precisa desenvolver a empatia para entender as motivações de sua equipe, mas isso não quer dizer que você deve dizer “sim” para tudo. Avalie o que é possível mudar e sempre forneça feedback sobre o porquê de outras mudanças não serem possíveis.

A resiliência é um ingrediente essencial para a receita de sucesso das organizações. Em momentos de instabilidade e crise, ela ajuda pessoas e empresas a segurarem as pontas, resistir positivamente à pressão interna e externa, aprender com as dificuldades e criar soluções para superar a adversidade.

A resiliência faz parte de sua estratégia de administração de empresas? Você conhece alguma outra dica para estimulá-la ou algum ícone de resiliência? Deixe sua mensagem nos comentários! 

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